Audiência Pública sobre Cultura

Nos dias 9 e 10 de maio,  às 19h, no Auditório Hervê Cordovil, serão realizadas reuniões preparatórias para a Audiência Pública sobre o Sistema Nacional de Cultura. Optou-se por dividir os segmentos artísticos e culturais em duas datas, a fim de permitir maior discussão e a definição de encaminhamentos a serem apresentados durante a Audiência.

Quarta-feira (09/05): músicos e eventos relacionados, centros culturais, produtores culturais, skate, associações, patrimônio (i)material, folclore, cultura popular, carnaval, artesanato.

Quinta-feira (10/05): teatro, dança, circo, ópera, audiovisual, novas mídias, artes plásticas, fotografia, artes gráficas, filatelia, literatura e obras informativas.

É muito importante a participação de todos nas reuniões preparatórias, pois esses encontros possibilitarão o nivelamento de conhecimentos e a discussão de propostas para a melhoria da criação, difusão e promoção de cultura em nossa cidade.

Para saber mais, acesse a página do Sistema Nacional de Cultura e participe do grupo Forum Virtual de Cultura Viçosa no Facebook.

A Audiência na Câmara Municipal acontecerá no dia 16 de maio, às 18h.


O Coletivo 103 no IV Congresso Fora do Eixo

Por Vívian Andaki

Primeiro Encontro da Regional Minas - Parque do Ibirapuera

Partimos de Viçosa no dia 11 à noite. Foram longas 10 horas de viagem até São Paulo. Chegando lá não tivemos tempo para descansar, pois a abertura oficial do congresso iria acontecer no Auditório Ibirapuera. Chegando ao parque, a surpresa já foi grande. Para muitos de nós esse era o primeiro contato com toda a atmosfera do Fora do Eixo – FdE. Não era uma conversa com um agente FdE e sim o encontro de agentes de todo o Brasil, e também de outros países da América Latina.

O clima era bom, o sol brilhava. Logo estavam todos reunidos pelos gramados do parque. Rodas de conversa brotavam em todos os lugares, eram reuniões das regionais, de frentes como palco, música, artes visuais. Havia espaço para todos, até mesmo para aqueles que estavam participando para descobrir o que é o Fora do Eixo.

Nós, que somos um Coletivo com menos de um ano de duração, já éramos vistos como experientes para uma galera que ainda não sabia como começar. Infelizmente não há “receita de bolo” para uma ação como esta dar certo, mas temos certeza que ter força de vontade já é um ótimo início.

Discussão com Ale Youssef, Daniel Ganjaman e Cláudio Prado

Nos demais dias, as atividades foram realizadas no Paço das Artes, na Universidade São Paulo. Foi um congresso diferente de tudo que nós conhecíamos. O formato de não-grade dava liberdade para a inclusão de assuntos importantes a qualquer momento. A organização era totalmente aberta a sugestões. Bastava circular pelas rodas e se deparar com discussões sobre Música, Teatro, Dança, Letras, Cinema, Sustentabilidade, Economia Solidária, Partido da Cultura, Selo Colaborativo, Liberdade de Imprensa, entre outros. Também foi realizado o Seminário da Música Brasileira durante três dias.

Durante o Congresso o grande problema era: o que priorizar? Eram tantas discussões interessantes ao mesmo tempo que ficava difícil escolher. O jeito era aproveitar o melhor possível, circular, trocar idéias. Quem dera poder ser desdobrar e participar de tudo!

Esses oito dias em São Paulo fizeram com que nós do 103 amadurecêssemos várias ideias, as quais já estão sendo detalhadas em nosso planejamento 2012. Pudemos ter um contato profundo com os valores do Fora do Eixo e ficou mais claro que o circuito é muito mais que uma plataforma de circulação de cultura. É aprendizado, é amadurecimento é trabalho coletivo em prol de tudo aquilo que a gente acredita!

Intervenção no Paço das Artes

P.S.: Também rolou um curso Básico de Aproveitamento de Água de Chuva e Montagem de uma Minicisterna, realizado na Casa Fora do Eixo São Paulo, resultado da parceria do Nós Ambiente e o  Sempre Sustentável.


Cultura e Políticas Públicas no Brasil

Ygor Sas

Ao longo da história do Brasil, as questões culturais sempre foram marcadas por omissões e descasos, sendo consideradas como meros fenômenos decorativos. No entanto, o contexto cultural brasileiro vem passando por constantes e significativas modificações, políticas públicas estão sendo discutidas para fomentar a demanda por recursos na área cultural. Algumas medidas estão sendo tomadas pelos governos, como a criação da lei de incentivo a cultura, que apesar de auxiliar e dispor recursos para a produção cultural, e artística, representa uma forma de mascarar a falta de dotações orçamentárias específicas para a área cultural.

O Ministério da Cultura(MinC), sob a gestão de Gilberto Gil, foi responsável pela criação de programas inovadores, sobretudo de 2003 à 2007, com o intuito de construir políticas públicas culturais amplas e sistêmicas. Esses programas buscaram, até certo ponto, possibilidades de democratização da cultura e fortalecimento das identidades culturais locais. Em um contexto histórico onde a massificação cultural age como uma nuvem de fumaça à enevoar as perspectivas e buscas, ações como Programa Cultura Viva, do MinC, são de fundamental importância para garantir o caráter flexível e horizontal do fluxo de criação e distribuição da cultura nacional.

O Programa Cultura Viva foi criado na gestão de Gilberto Gil e trata de uma rede de gestão e produção cultural mediada pelos Pontos de Cultura. Nesse programa o MinC investe em projetos emergentes nas próprias comunidades, garantindo, assim, o fortalecimento de uma identidade particular e, além disso, beneficia os produtores locais. Desse modo, o Programa faz-se uma importante ferramenta de combate a exclusão social e cultural, criando possibilidades da cultura local independente oferecer resistência à cultura massificada, excludente e alienante.

A grande questão atual é lutar para que esses programas continuem ativos e para que outras medidas de democratização cultural sejam conduzidas pelo poder público, com o interesse em manter uma produção e distribuição cultural democrática e LIVRE.


Eu democratizo, Tu democratizas e Eles democratizam?

Isloanne Araujo

Democratizar: o “para todos”. Digamos que a sociedade é esse “todos”, será que o “todos” tem acesso “fácil” a algum tipo de cultura?

Não sei quando e nem onde começou essas separações de classes sociais (A, B, C, D,…X, Y, Z, alta, média, baixa,… direita, esquerda), mas está mais do que claro que algumas pessoas são menos favorecidas. E é nelas que a palavra democracia deve ganhar força.

Por serem menos favorecidas, elas tem déficit de cultura em suas vidas, (e eu também estou nessa), e os motivos para isso são muitos, e vão desde uma base escolar de infra-estrutura ruim, com grade disciplinar mal elaborada, até poder econômico insuficiente. Um fato estranho é que, mesmo quando o evento é gratuito, algumas pessoas dessas classes deixam de prestigiar, talvez por falta da propaganda não ter chegado a elas, e pode até se pensar também numa questão mais psicológica. É de se analisar!

Não vou abrir muito o assunto na política, mas sabemos que os gestores municipais, estaduais, e até os federais tem relevância nesse assunto, e esses devem ser cobrados para assim conseguirmos consolidar a mudança cultural nos seus mais variados níveis.

Quem tem o mínimo de preocupação com a valorização do papel da cultura na sociedade, trabalho é o que não falta.

O “todos” não tem acesso “fácil” a cultura, e é ai que o Coletivo entra em cena, para facilitar esse acesso, estreitando a relação dos menos favorecidos com a arte.


O Contexto Cultural Brasileiro

Isloanne Araujo

 O setor cultural brasileiro tem passado por grandes mudanças no decorrer dos anos. Até meados de 1980, São Paulo e Rio de Janeiro dominavam essa área. Felizmente essa não é mais uma realidade, pois há uma maior valorização dos traços locais, promovendo aos artistas maiores oportunidades.

A cidade de Belo Horizonte, pode ser tomada como um bom exemplo dessa mudança de eixo cultural. Em 1990, casas de espetáculos, salas de cinema, estúdios de gravação e galerias de exposições tiveram um aumento significativo, assim como os eventos culturais.

Mesmo com toda essa mudança, ainda há o problema de distribuição artística, ou seja, muitas pessoas não têm os seus trabalhos vistos. Uma maneira de amenizar esse “problema”, e é o que tem dado bastante certo, é a promoção de eventos/festivais de artes em gerais, visando três pontos importantes: organizar a oferta; promover e dar visibilidade; e mover, colocar em movimento e distribuir.

No que tange as artes musicais, o número de músicos tem aumentado. Uma reflexão disso é o aumento do faturamento do segmento de instrumentos musicais, que triplicou de R$100 milhões para R$300 milhões entre os anos de 1992 e 2001, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Nota-se aí uma enorme vontade do povo brasileiro em produzir música.

A forma de disseminação das músicas via gravadora está em decadência. A internet tem sido a grande “culpada” por isso. O artista agora tem uma relação estreita com seu público, e fácil amostra do trabalho digital, potencializando assim o reconhecimento de sua arte.

O patrocínio à cultura vem sendo cada vez mais utilizado como ferramenta de aproximação das organizações com seus públicos, num movimento que se potencializa ainda mais pela aplicação das leis de incentivo que se multiplicaram pelo país. O efeito atrativo causado nessas empresas e organizações em gerais, para injetarem recursos na área cultural, é dado por mecanismos de renúncia fiscal e foi de relevante importância a figura de Gilberto Gil, em sua gestão de 2003-2007, que criou uma série de programas inovadores.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2005 pelo CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) 80, 6% do total de entrevistados (todas as classes sociais, da Região Metropolitana de São Paulo) nunca foi ou ao menos não foi a nenhum show de música popular nos últimos 12 meses.

Esses dados são desafiadores, pois revelam que ainda há muita gente usufruindo pouco das artes brasileiras, que diga se de passagem é muito rica. Justamente por ser rica, ela deve chegar ao ouvido, chegar aos olhos, ser inserida no cotidiano dos brasileiros, dando continuidade a esse processo de mudança cultural do nosso país.

Fonte; Livro: O Avesso da Cena – Romulo Avelar


Economia Solidária e Criativa: Outros Modelos Econômicos

Ygor Sas

A economia solidária apresenta-se como uma alternativa para geração de trabalho e renda, e é caracterizada por apresentar novas formas de produção, vendas, trocas e distribuição. Preconizando o trabalho como forma de libertação humana, a Economia Solidária cria uma alternativa à dimensão do trabalho no sistema capitalista. Lutando contra as desigualdades sociais e o desemprego, a Economia Solidária aproveita-se da fragilidade gerada pelo sistema capitalista de produção para lançar o alicerce de novas formas de organização da produção e consumo. Baseia-se em práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, comércio justo e consumo solidário. Os interesses e objetivos comuns, a união dos esforços e capacidade, a prática participativa de auto-gestão e o caráter de solidariedade dos empreendimentos têm repercussão multidimensional, perpassando pela dimensão socioeconômica, política, cultural e ecológica.

Baseando nos princípios da Economia Solidária, a Economia Criativa surge como uma oportunidade de resgatar o cidadão, inserindo-o socialmente, e o consumidor, inserindo-o economicamente. A Economia Criativa remete a capacidade de criar, reinventar, diluir paradigmas tradicionais, unir pontos desconexos e equacionar soluções para novos e velhos problemas. É um termo utilizado para nomear modelos de negócios, empreendimentos ou gestão que originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capacidade intelectual de indivíduos visando à criação de emprego e renda. Através da valorização do simbólico, da cultura e das raízes, a economia criativa/solidária preconiza o desenvolvimento local. O conceito surgiu nos anos de 1990 quando os economistas detectaram que os produtos estavam dando lugar às idéias. Nesse último século a moeda mais valorizada é o conhecimento, o intelecto. Somente no Brasil, 383 bilhões de reais são movimentados pelas indústrias criativas, que inclui Literatura, Cinema e outras atividades.

Com o desenvolvimento dessa nova forma de economia, abriu a possibilidade de ver atividades como artes, mídia ou design como força motriz da economia. Com isso, as atividades culturais se aproximaram do topo da elaboração da política econômica. No Brasil foi criado, em 2011, a Secretaria da Economia Criativa sob o comando do Ministério da Cultura. Apesar dessa maior aproximação e expansão do setor cultural e artísticos na política pública, ainda há problemas no desenvolvimento e estruturação do setor, evidenciando que ainda é preciso trabalhar de uma forma integrada e coletiva para consolidação das atividades culturais.

Fontes:
Livros: Economia Criativa – Ana Carla Fonseca Reis ; O Avesso da Cena – Rômulo Avelar.
Sites: http://www.cultura.gov.br e http://www.mte.gov.br