Mostra de Cinema de Ouro Preto 2011

Daniel B.
Para ficar por dentro das novidades do cinema nacional, participe da 6ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, que ocorre dos dias 15 a 20 de junho.  A programação (filmes, oficinas, seminários e exposições) está disponível no site da organização.
 
 

6ª Mostra de Cinema de Ouro Preto

EVENTO GRATUITO

De 15 a 20 de junho

www.cineop.com.br

 


Nouvelle Vague

Daniel B.

Corrente do cinema francês, fruto da revista Cahiers Du Cinéma, a Nouvelle Vague (no português, nova onda) representou um marco na história do cinema mundial. O termo “nova onda” foi primeiro utilizado pela jornalista francesa Françoise Girot, no início da década de 1950, designando o comportamento da juventude francesa à época. Somente em 1958 a expressão é utilizada por uma revista de cinema para rotular a corrente cinematográfica que “afrancesou” o cinema internacional. Cineastas como o brasileiro Glauber Rocha (Cinema Novo), o norte-americano Martin Scorsese, o franco-polonês Roman Polanski, o alemão Rainer Fassbinder e o italiano Paolo Pasolini são tributários da Nouvelle Vague. Os cineastas desta escola trabalhavam como críticos de cinema na Cahiers Du Cinéma. Somente a partir de 1959, com Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais; Os Incompreendidos, de François Truffaut e  o Acossado, de Jean-Luc Godard é que, de fato, a Nouvelle Vague mostrava ao mundo sua beleza.

Edição de 1961 da Cahiers Du Cinéma. Fonte: http://www.mol-tagge.blogspot.com

Naquele período, como perdão de sua divida externa com os Estados Unidos, a França abriu-se ao cinema norte-americano. Entretanto, isso não foi o suficiente para os filmes franceses deixarem de ser assistidos pelos nativos. Pelo contrário, o número de cineclubes e cinematecas aumentou vertiginosamente. O cinema tornara-se o principal meio de comunicação francês. O avanço do cinema norte-americano às ruas de Paris não  obstruiu o caminho da Nouvelle Vague. Diriam os franceses: “Yankees go home!”. O contexto histórico desses anos remete a um forte consumismo de LPs pelos jovens franceses, embalados pelo  rock’n’roll de Elvis Presley. O filósofo francês Jean-Paul Sartre e o pensamento e

xistencialista, também, contribuíram pra constituição da Nouvelle Vague.

Da mesma maneira que exerceu influências sobre a obra de vários cineastas, a Nouvelle Vague resultou de influências do cinema neo-realista italiano e os filmes B norte-americanos. A contribuição fundamental do cinema neo-realista italiano, que surge após o término da Segunda Guerra Mundial, considerado o pai do cinema moderno, é que, como este, a Nouvelle Vague costumava filmar seus longas fora de estúdios. Outro fundamento adotado pelos franceses era trabalhar a atividade cerebral das pessoas. As narrativas dos filmes eram pouco claras, desta forma, ficava a cargo do indivíduo construí-las per si. Os filmes da “nova onda” não dispunham de grandes orçamentos, por isso, valorizava bastante o diálogo, as falas demoradas – características próprias dos filmes B norte-americanos -, que pertenciam ao circuito alternativo estadunidense. Como estes, a Nouvelle Vague provou que era possível fazer filmes de qualidade com capital reduzido. Seu sucesso dependia da criatividade do autor. A Nouvelle Vague era um “cinema de autor”. 

Durante os sábados do mês de junho, a produtora Norma Produções exibirá filmes Nouvelle Vague, na Estação Herne Cordovil, no centro da cidade. Confira a programação completa no blog www.recuperandostrilhos.com

 


Cineclube – E sua mãe também

Nosso próximo filme, escolhido por votação, é: E SUA MÃE TAMBÉM (2001), de Alberto Cuáron. A sessão será no CENTRO EXPERIMENTAL DE ARTES.

Data: 15/05

Endereço: Rua Gomes Barbosa, 658

Horário: 18h30

Compareça!


Montagem: eixo central da linguagem formativa

Daniel B.
Imagine que sua mente seja uma fábrica, na linha de produção, ao invés de matérias-primas, temos imagens de filmes. Considere-as desconexas, sem ligação aparente. Como o industrial que divide e une as fases da linha de produção, cabe a você relacionar e dar sentido a essas estruturas. Eis a lógica da linguagem formativa: exigir que o espectador dê sentido às imagens da câmera.
 
A incapacidade de retratar o mundo real atribui ao cinema o status de arte. Seus maiores teóricos foram Hugo Munsterberg, Rudolf Arnheim, Sergei Eisenstein e Bela Balzás. A linguagem formativa é tecnicista. Sua preocupação maior é com a montagem, de modo a provocar o espectador. Tal característica inibe a identificação do espectador com o filme. É um cinema de exageros. As imagens são, conscientemente, distorcidas. Portanto, o eixo central da teoria formativa é a montagem. Ela é que dita o ritmo do filme.

Road movie = liberdade

Daniel B

Pôr o pé na estrada é mais do que uma simples viagem. É se ver livre. Afinal, o significado da palavra liberdade jamais pode se limitar ao dicionário. O road movie (algo como “filme de estrada”) nos faz refletir sobre isto. Até que ponto somos e podemos ser mais livres? Livres de julgamento, livres de fantasmas que nos assombram – livres, simplesmente. Viajar com um road movie é como deslizar pelas curvas e retas dionisíacas.

Road movies são narrativas de viagem. Relatam histórias de pessoas que se passam na estrada. O gênero surge nos Estados Unidos, na década de 1960. O contexto remete aos movimentos estudantis de Maio de 68 e ao movimento hippie. Como nas ruas, o grito da liberdade chegara ao cinema. O destino dessa gente é o que menos importa. Na verdade, o personagem central dos road movies é a estrada. É a fada que transforma a vida dos aventureiros.

Melhor do que ver um road movie é mesmo encarar a estrada. Pra quem pega carona, o significado destas palavras é mais do que claro. A adrenalina de não saber o momento da carona, que pode levar meia hora, uma, duas… Toma conta de nós. O êxtase é agridoce. Porém, quando a carona chega, o paladar adocica.

Após esta reflexão sobre liberdade e road movie, chegamos ao que nos interessa. O próximo filme do Cineclube 103 (dia 15/05) é um road movie. Mas, quem decide qual é você! Propomos ao internauta que escolha uma das opções sugeridas, na enquete ao lado. A seguir, disponibilizamos a sinopse dos respectivos filmes*. Escolha!

Central do Brasil (Walter Salles, 1998)

O filme retrata a vida de Dora (Fernanda Montenegro) e Josué (Vinícius de Oliveira). Ela, uma professora aposentada que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos, na maior estação de trens do Rio de Janeiro, (Central do Brasil). Ele, um garoto pobre, que com oito anos de idade perde sua mãe no Rio de Janeiro e sonha com uma viagem ao Nordeste para conhecer o pai. Dora conhece Josué, que após a perda da mãe fica perdido e entregue às várias formas de violência urbana, típicas de uma cidade grande num país subdesenvolvido. Após um grave acidente, onde Josué quase foi vitima de uma tentativa de tráfico para o exterior, Dora rendeu-se ao apelo do menino e o acompanhou em busca de seu pai e irmãos numa longa viagem para o sertão da Bahia e de Pernambuco.

E sua mãe também (Alfonso Cuáron, 2001)

Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal) são dois adolescentes de 17 anos que são controlados pelos seus hormônios e desejam se tornar adultos rapidamente. Em uma tarde festiva eles encontram Luisa (Maribel Verdú), uma garota espanhola 11 anos mais velha que eles e que é casada com o primo de Tenoch. Eles a convidam para uma viagem à praia de Boca del Cielo, convite este inicialmente recusado e posteriormente aceito, após Luisa receber uma desagradável notícia. Porém, tanto Julio quanto Tenoch não conhecem o caminho até a praia e nem mesmo se ela realmente existe, fazendo com que os três se aventurem em uma viagem onde inocência, sexualidade e amizade irão colidir.

Na Natureza Selvagem (Sean Penn, 2007)

Início da década de 90. Christopher McCandlless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca de liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica a delas. Até que, após 2 anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e parti rumo ao Alasca.

Viagem a Darjeeling (Wes Anderson, 2007)

Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody) e Jack (Jason Schwartzman) são irmãos, mas não se falam há um ano. Eles, decidem realizar uma viagem de trem pela Índia, na intenção de acabar com a barreira existente entre eles e também para autoconhecimento. Entretanto, devido a incidentes envolvendo a compra de analgésicos sem prescrição médica, o uso de xarope para tosse indiano e um spray de pimenta, a viagem logo muda de rumo e faz com que a trio fique perdido no meio do deserto, tendo 11 malas, uma impressora e uma máquina plastificadora.

*Com informações de www.adorocinema.com e www.hitorianet.com.br.


Estréia do Cineclube

Daniel B. e Vivian Andaki

“Avacalhamos” e esculhambamos nossa visão de mundo, diria o protagonista de O Bandido da Luz Vermelha (1968), filme do diretor e roteirista Rogério Sganzerla, exibido na estréia do “Cineclube Coletivo 103”, no dia 1º de maio de 2011.

Inspirado na história de vida de João Acácio Pereira da Costa, bandido catarinense que, no ano de 1967, atormentou a sociedade paulistana, o filme possui uma narrativa diferenciada, expondo um personagem perturbado e conflituoso.

O filme suscitou dúvidas e ponderações, gerando discussão entre os participantes sobre o contexto social e político da época . Este é e continuará sendo nosso propósito: fomentar discussões.

As sessões do cineclube serão quinzenais, com a próxima exibição programada para 15 de maio.

Participe do blog, mandando sugestões de filmes, mostras de cinema e afins!


Cineclube 103 – À margem

O Cinema Marginal abre os trabalhos do CINECLUBE 103. As boas vindas são dadas pelo O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. Cinema de invenção (Jairo Ferreira), cinema de poesia (Bressane), experimental, alternativo, underground são algumas das definições atribuídas a este movimento da virada dos anos sessenta pra década de setenta.

Data: 01/05

Endereço: Av. Castelo Branco, 1291, aptº 103, Bairro Stº Antônio (em frente à Paraná Pneus)

Horário: 18h30